TECNOLOGIA TACTOGRAPHY

Fotógrafo brasileiro Gabriel Bonfim desenvolveu técnica com alta tecnologia que permite visualizar fotografias por meio do tato. Exposição inclui ainda série de fotografias intitulada “M – Meu lugar na sociedade”, que retrata a história de luta de mulheres como Maria da Penha e a atriz Juliana Caldas

 

A arte ao alcance de todos. Seguindo este conceito, o Museu Nacional dos Correios recebe, até  29 de dezembro, a exposição De Fotografia à Tactography™, do fotógrafo Gabriel Bonfim. Unindo seu olhar único à tecnologia de Tactography™, uma espécie de impressão em alto-relevo, o artista brasileiro assina a mostra que pode ser apreciada tanto pelo público em geral quanto por pessoas com deficiência visual. Uma tecnologia suíça, a Tactography™ escaneia o objeto fotografado e mapeia as proporções e a profundidade para a criação de peças em 3D.

 

A exposição reúne 24 obras tridimensionais fruto de imagens capturadas  do tenor italiano Andrea Bocelli durante uma turnê na Europa, do jovem bailarino catarinense Denis Vieira, integrante do Ballet da Ópera de Zurique.

 

As obras foram todas produzidas para serem “vistas” por meio do tato, com o toque das mãos. Para isso, logo na entrada do espaço, o público receberá vendas para cobrir os olhos. Assim, todos poderão ter a mesma experiência de visitação e compreender também como os deficientes visuais fazem sua leitura do mundo e da arte.

 

“Meu intuito foi mostrar como uma mesma obra pode ser apreciada de formas diferentes – com a visão e com o tato. E como a acessibilidade, a interação e a leitura desta obra podem fazer com que todos os públicos tenham a oportunidade de interagir e dialogar com a arte”, explica Gabriel. “É importante destacar como a tecnologia, sem nenhuma interferência na visão no processo de criação artística, possibilita hoje essa grande transformação e quebra de barreiras.”

 

Para a visitação da mostra, serão possíveis dois movimentos diferentes, não convencionais para uma exposição tradicional de fotografias. Os portadores de deficiência visual e os visitantes que optarem por vestir as vendas serão conduzidos por guias no chão para tocar as obras em Tactography™. As pessoas com visão que desejarem fazer a visita sem as vendas apreciarão as obras um pouco mais de longe, como peças brancas em relevo, explica o artista.

 

“Nossa experiência com testes realizados em escolas de deficientes visuais de Zurique mostra que uma pessoa cega, com alguma prática, pode aprender a ler e a ver uma Tactography™ rapidamente”, afirma Gabriel Bonfim.

 

“Um dos objetivos que motivou a realização dessa mostra é também motivar deficientes visuais a ler e, consequentemente, a vivenciar uma nova dimensão da percepção. A nova tecnologia de impressão de Tactography™ tridimensional cria uma oportunidade a mais para os deficientes visuais. Durante a exposição, entrevistaremos visitantes cegos sobre suas experiências para melhorar ainda mais a técnica”, completa.

 

MOMENTO ESPECIAL

Durante a última oportunidade de ver e sentir as suas obras no Brasil, Bonfim promete surpresas para o público de Brasília, com a apresentação de M. – Meu Lugar na Sociedade.

 

São dez fotografias em cores, além de uma videoinstalação artística com 11 telas, na qual Gabriel Bonfim retrata cenas aparentemente comuns na vida de mulheres brasileiras. No registro da transexual na escadaria Selarón, no Rio de Janeiro, ou da Ialorixá na igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, da ativista Maria da Penha com Luiza Brunet ou da atriz Juliana Caldas, as imagens descortinam histórias que levam o espectador a perceber algumas das dificuldades enfrentadas por essas mulheres.

 

“Busquei resgatar a história de luta de cada uma das minhas convidadas a partir de onde as fotografei. É como se ao retratá-las ali – nos mais belos e importantes locais no centro dessa sociedade – pudéssemos ressignificar aquele espaço e, assim, como protagonistas de suas próprias histórias, elas retomariam o seu lugar na sociedade que as marginalizou. Meu trabalho tem como objetivo trazer um pouco desse incômodo para que toque as pessoas e as leve a pensar”, declara Gabriel Bonfim.

 

Complementa a exposição ainda a série de 12 imagens da coleção Portraits do acervo de arte de Gabriel Bonfim. São retratos diversos feitos por ele em suas viagens pelo mundo.

 

Fotógrafo que tem atraído cada vez mais a atenção na Europa, Gabriel usa seu talento e seu trabalho de altíssima qualidade para criar atmosferas únicas e incitar contemplações críticas. Fotógrafo com olhar especial para o ser humano e seu ambiente, Gabriel usa esse talento para transmutar-se de fotógrafo de alta performance para artista.

 

SOBRE O ARTISTA

Gabriel Bonfim nasceu em São Paulo em 1990. Desde cedo, desenvolveu uma grande afeição pela arte. Depois de estudar três anos na faculdade de Direito e de trabalhar em um escritório de advocacia, decidiu dedicar-se permanentemente à fotografia. Como fotógrafo de moda, desenvolveu sua habilidade profissional e técnica. Depois de anos de aprendizado e viagens pela Holanda, Alemanha e Bélgica, mudou-se para a Suíça, onde conheceu Thomas Kurer, atualmente gerente de seu acervo.

 

SERVIÇO

Exposição De Fotografia à Tactography™

Artista: Gabriel Bonfim

Data: de 31 de outubro a 29 de dezembro

Local: Museu Nacional dos Correios – Setor Comercial Sul, quadra 4, bloco A, n° 256, ed. Apolo, Asa Sul

Entrada gratuita

Classificação livre

 

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

In Press Porter Novelli

Bruna K Marques – [email protected]

(61) 9 96480448

(11) 3323-1533 / 9 8999-0047

 

SOBRE A TECNOLOGIA TACTOGRAPHY™

 

Tomando como base o princípio da impressora 3D – a confecção de objetos tridimensionais por meio de um arquivo digital –, Bonfim , em parceria com a empresa suíça, chegou a dois processos que considerou satisfatórios para reproduzir suas obras com acessibilidade para deficientes visuais. O primeiro processo foi pensado para as fotografias que Bonfim já tinha em seu acervo. Neste processo, a imagem digital tradicional foi enviada a um software e um programador apontava para o computador estimativas de proporções e profundidades – um trabalho bastante minucioso de marcação ponto a ponto. A partir dessa técnica, foram impressas 12 imagens de uma série especial captada por Bonfim com o grande tenor italiano Andrea Bocelli durante uma turnê na Turquia, em 2014. Elas revelam os principais momentos do astro, inclusive com sua família. No segundo processo, Bonfim chegou a uma solução em que a captação da foto tradicional já gerava a obra em 3D. Foi então que convidou o jovem bailarino brasileiro Dênis Vieira, integrante do Balé da Ópera de Zurique, na Suíça, para este desafio. A sessão de fotos teve dois momentos. Primeiro, Bonfim fotografava Vieira com uma câmera digital. Em seguida, um scanner 3D fazia a leitura das informações visuais, criando a modelagem digital do bailarino. Enviada à impressora 3D, a fotografia era impressa em alto-relevo. Com este processo, foram produzidas mais 12 obras.

 

TACTOGRAPHY ™

Trata-se de uma maneira de representar fotografias em três dimensões para que ambas possam ser lidas por cegos e sejam visíveis para os que vêem. O Tactography ™ também é um processo de design inventado na Suíça com base na impressão estereolitográfica (STL). Após esculpir o Tactography ™ no software de design assistido por computador, começando pela fotografia original em várias etapas, o arquivo será enviado para uma impressora STL. A estereolitografia é um processo de fabricação aditivo que trabalha focando um laser ultravioleta (UV) em uma cuba de resina fotopolimérica. Com a ajuda do software de design assistido por computador, o laser UV é usado para desenhar o design Tactography ™ na superfície do tanque de fotopolímeros. Como os fotopolímeros são fotossensíveis à luz ultravioleta, a resina é solidificada e forma uma única camada do Tactography ™ desejado. Este processo é repetido para cada camada do desenho até que o Tactography ™ esteja completo. Após a impressão, o Tactography ™ é pulverizado em branco (RAL9016), garantindo que também possa ser apreciado como arte por uma pessoa que o vê à distância. Em condições de luz difusa, os espectadores ficam intrigados com o fato de estarem vendo uma imagem com sombras pintadas ou com um relevo tridimensional.