Câncer de Mama… 

 O Movimento Outubro Rosa chega novamente para conscientizar a população sobre a doença que acomete mulheres e homens em todas as partes do mundo

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, perdendo apenas para o de pele não melanoma. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apresentados em 2018, cerca de 60 mil novos casos da doença deverão ser diagnosticados entre 2018 e 2019. Em 2016, de acordo com o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), mais de 16 mil mulheres morreram por causa da doença.

Com o objetivo de alertar sobre a doença e a importância do diagnóstico precoce, o movimento internacionalmente conhecido como “Outubro Rosa” vem ganhando cada vez mais força em diversos segmentos da sociedade. Em Brasília, a ação em prol da saúde surge de diferentes lados e diferentes vertentes.

 

De um lado o governo que trabalha baseado no novo PLC 32/2018 aprovado este ano pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) que trabalha com palestras, eventos e atividades educativas; e a veiculação de campanhas de mídia e informação sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama. Por outro lado, temos a mobilização por parte dos profissionais de saúde que apostam na disseminação de informação para a população feminina, sem deixar de lado o alerta para os homens que também podem ser acometidos pela doença, como conta a Médica Oncologista Ludmila Thommen Teles.

 “Além de mulheres, tratamos também nos ambulatórios de homens que sofrem desse mal. Apesar de ser uma doença mais comum entre as mulheres, uma pequena parcela dos homens desenvolvem o câncer de mama, mas com frequência menor que a observada em mulheres”, conta.

Médica oncologista em hospitais da rede pública e particular, Ludmila conta que por semana atende nos três ambulatórios em que trabalha na unidade pública de saúde, cerca de cinquenta mulheres com câncer de mama.

O câncer consiste em uma proliferação descontrolada de células que anteriormente eram normais decorrente de mutações no DNA. Entre os tipos mais comuns de câncer invasor estão o carcinoma ductal e o carcinoma lobular. O primeiro surge dos ductos mamários, estruturas que transportam o leite do local de produção até o mamilo. E o segundo, dos lóbulos mamários, local de produção do leite. “É provável que uma em cada nove ou dez mulheres receba esse diagnóstico se viver até os 90 anos”, alerta.

Outro fator que preocupa a especialistas é o alto índice de mortes decorrentes da doença: dados do INCA apontam que esse é o tipo de câncer que mais leva as brasileiras a óbito. “Isso se deve ao grande número de novos casos, ao diagnóstico tardio causado pelo rastreamento inapropriado. Em países onde o rastreamento foi adequadamente implementado, como nos Estados Unidos, nota-se uma queda da mortalidade desta doença ao longo das últimas décadas”, explica Dra. Ludmila. O atraso no início do tratamento e o difícil acesso à terapia multimodal (quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo) também podem ser apontados como possíveis causas de piora dos prognósticos.

A importância do diagnóstico precoce e autoexame

Outubro Rosa

Karl Jeanneth – 45 anos

O diagnóstico precoce pode impactar positivamente nas estatísticas de mortalidade. Há uma forte correlação entre o volume da doença inicial, diagnóstico e o desfecho, morte ou recaída da doença. Isso é o que chamam de estadiamento inicial. Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maior a chance de cura”, aponta a oncologista.

Mulheres com mais de 40 anos devem estar ainda mais atentas, pois o envelhecimento é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Entretanto, esta recomendação deve ser ajustada para pacientes que tenham no histórico familiar fator de risco para câncer de mama, afirma a oncologista.

O autoexame, apesar de ter um papel secundário no diagnóstico precoce, é imprescindível mesmo não substituindo a consulta, avaliação médica e os exames complementares. O autoexame da mama, deve ser feito aproximadamente no sétimo dia após o início da menstruação, momento no qual a mama está menos inchada e dolorida, facilitando o procedimento. Deve-se procurar por assimetrias importantes, nodulações, alterações cutâneas

No entanto a mamografia é o método preconizado para rastreamento e o único exame cuja aplicação apresenta eficácia comprovada na redução da mortalidade do câncer de mama. O importante é detectar a doença ainda em fase inicial para que seja possível iniciar o tratamento logo em seguida. Dessa forma, as chances de cura aumentam consideravelmente e os impactos da doenças são minimizados. Atualmente existem medicamentos bastante eficazes no tratamento avançado da doença. Entretanto, alguns possuem o valor de alto custo e que não fazem parte do rol de cobertura da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS.

No Brasil, a mamografia é recomendada a partir dos 40 anos. Entretanto, esta recomendação deve ser ajustada para pacientes que tenham no histórico familiar fator de risco para câncer de mama, afirma a oncologista.